Inove-se

Fazendo o círculo virtuoso do cooperativismo girar

Como a atuação da cooperativa de crédito Sicredi Aliança PR/SP, aliada ao suporte da Ocepar, dá condições de desenvolvimento para produtores rurais e para as comunidades sustentadas por essa produção.

Acordar às 7h, preparar um chimarrão e tomá-lo em família, sem aquela pressa para começar o trabalho antes mesmo do sol nascer. Um desejo simples, mas interpretado como um grande privilégio por quem trabalha no campo, especialmente os bovinocultores de leite. A rotina da família Steffens, de Quatro Pontes, no Oeste do Paraná, sempre foi pautada por esse senso de urgência que já começava na madrugada: quando o relógio marcava 5h e a cidade ainda estava em sono profundo, Paulo e a esposa já estavam na lida da ordenha. Era assim desde 2000, de domingo a domingo, de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Até que, 21 anos depois, um sonho antigo se concretizou: a porteira da propriedade rural foi aberta para uma tecnologia que transformou a qualidade de vida da família, o bem-estar animal e elevou a produtividade. Uma história que só tem esse roteiro porque é escrita pelo cooperativismo.

A ferramenta que permitiu essa mudança foi a ordenha robotizada, que diminui muito a necessidade de mão de obra enquanto amplia a produção de leite. “O primeiro encontro com esse sistema foi em 2017. A gente visitou propriedades que tinham ordenha robotizada e ficamos imaginando se daqui 10 anos poderíamos ter um sistema assim. Isso ficou matutando na cabeça da gente, mas víamos como algo muito distante porque o custo de instalação era muito alto. Em 2021, no meio da pandemia, íamos dobrar a capacidade do sistema convencional que a gente já tinha, mas as empresas não conseguiam fornecer equipamento, estava faltando tudo. Por fim, foi uma luz. Cancelamos esse projeto convencional e voltamos a estudar sobre a robotização e aí não teve mais volta: calculamos, visitamos propriedades novamente e batemos o martelo. E desde outubro de 2021 a ordenha robotizada já está operando”, conta Paulo.

Foi na cooperativa de crédito Sicredi Aliança que a família Steffens encontrou respaldo para viabilizar o projeto. E assim o investimento aconteceu. “A  primeira conta que eu abri quando casei foi no Sicredi. E assim continua. Todos os investimentos foram feitos pela Sicredi, que sempre ajuda nos custeios, sempre orienta e estimula… Foi como um pai que estendeu a mão e financiou esse projeto para nós”, agradece o bovinocultor.

Cooperativismo: garantindo sucessão familiar e desenvolvimento para as comunidades

Essa é uma história que exemplifica muito bem como o círculo virtuoso do cooperativismo funciona. Em cerca de 6 meses com a tecnologia instalada na propriedade, o produtor praticamente dobrou a produção de leite: antes, a média diária era de 1300 litros por dia e agora chega a 2200 litros. Um aumento significativo que gera um crescimento em cadeia. “Há um ano nós tínhamos em torno de 70 mil reais de giro mensal bruto na propriedade, hoje nós temos cerca de 150 mil reais de giro financeiro. O dinheiro que gira na minha propriedade automaticamente gera renda para o meu município: desde a obra que a gente fez, contratação de trabalhadores de construção civil, metalúrgica, compra de máquinas novas para tratar animais… E eu foco muito em comprar no mercado local. Isso acaba estimulando a indústria daqui”, destaca Paulo.

“Nosso município é pequeno, tem pouco mais de 4 mil habitantes e a nossa cidade depende do agro. Num momento em que há uma frustração de safra ou alguma atividade que está em crise, o comércio sente. E o contrário também acontece. A roda gira dependendo um do outro. Quando há o crescimento de um associado, todo mundo ganha. A cooperativa cumpre seu papel enquanto instituição financeira, mas o associado crescendo vai gerar renda e mais recursos. Quando o associado investe no Sicredi, nós conseguimos retornar isso como forma de incentivo e a comunidade recebe esse benefício, formando o círculo virtuoso, quando todos saem ganhando”, ressalta Elaine Sanders, gerente da agência Sicredi de Quatro Pontes.

“Quando há o crescimento de um associado, todo mundo ganha. A cooperativa cumpre seu papel enquanto instituição financeira, mas o associado crescendo vai gerar renda e mais recursos”

Se o impacto do crescimento de um único associado já é muito positivo, imagina o quanto isso se multiplica num cenário que engloba mais de 57 mil associados em 19 municípios? A Sicredi Aliança PR/SP ajuda a promover essas transformações por meio de 22 agências espalhadas por cidades do Oeste do Paraná e do norte de São Paulo. E o volume financeiro que envolve os projetos rurais financiados pela cooperativa é bem expressivo: o total da carteira de crédito rural no primeiro trimestre de 2022 foi de R$ 620 milhões. No mesmo período de 2021, esse valor era de R$ 521 milhões, um crescimento de 19%. Inovar e crescer também são determinantes para que as famílias permaneçam no campo. A propriedade de Quatro Pontes um dia foi do pai de Denise, esposa de Paulo. Foram os pais dela que deram início à atividade leiteira que o casal não continuou, mas fez evoluir. Nascidos e criados praticamente “entre as vacas”, Paulo e Denise construíram uma família que também respira esse ambiente: a primogênita Eduarda, de 17 anos, ajuda em tudo, fica responsável pelas novilhas e já participa da tomada de decisões. O caçula Giovani, de 10 anos, também já contribui muito com as atividades.

De geração em geração, o negócio rural vai passando e se desenvolvendo: pensando no futuro, Eduarda já cursa Gestão em Agronegócio. Sinal de que deseja continuar no ramo e levar para frente um legado do avô. “Quando eu era criança, meus pais diziam: alguém vai ter que ficar aqui para tocar pra frente. E quando casei com Paulo, ficamos na propriedade. Fico feliz e agradecida por ter aceito essa proposta do meu pai, porque vejo a propriedade crescendo e vejo meu esposo e meus filhos crescendo por meio dela”, descreve Denise.

A engrenagem

A cooperação está enraizada ali naquela família que toma o chimarrão enquanto distribui as tarefas do dia e discute em conjunto como melhorar a atividade. O espírito cooperativo habita esse bovinocultor que planeja investimentos e sabe onde encontrar apoio. Também mora nos colaboradores da cooperativa de crédito que sabem escutar, orientar e incentivar os projetos dos cooperados. E todas essas camadas de cooperação são abraçadas por um sistema maior que garante a organização de todos os tipos de cooperativa (crédito, produção ou saúde), defendendo os interesses do cooperativismo e prestando serviços que visam o crescimento das comunidades cooperativas.

No Paraná, quem desempenha esse papel é o Sistema Ocepar, formado por três sociedades distintas, sem fins lucrativos: o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná – Ocepar, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop PR e a Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná – Fecoopar. O produtor encontra nesse modelo o sistema ideal de organização, de fluidez e segurança para investir, produzir e comercializar.

Completando 50 anos, o Sistema Ocepar desempenha papel de “porto-seguro” da cadeia produtiva. Somente do agro, são 61 cooperativas distribuídas pelo território paranaense, que somam 178 mil cooperados, responsáveis por um faturamento de mais de R$ 115 bilhões por ano. Uma engrenagem eficiente, que reflete na geração de empregos, no equilíbrio da balança comercial do país e na qualidade de vida das comunidades do Paraná.

“A relação da Sicredi Aliança com a Ocepar vem desde o início da cooperativa, lá nos anos 80. Quando nosso grupo de associados fundadores queria formalizar a criação da cooperativa, teve todo esse apoio da organização. Naquela época, as cooperativas de produção eram as grandes idealizadoras do movimento e as cooperativas de crédito estavam começando a caminhada. A Ocepar deu todo apoio para essa fundação. E nosso relacionamento segue forte”, relata Fernando Fenner, diretor-executivo da Sicredi Aliança PR/SP, acrescentando o quanto a atuação da organização foi fundamental para que as cooperativas paranaenses pudessem enfrentar os desafios da pandemia de Covid-19.

“Uma entidade que tem, na comemoração do seu jubileu de ouro, uma adesão como a Ocepar tem hoje, precisa ser parabenizada porque ela consegue, nesse momento turbulento do mercado, fazer toda essa organização. Vejo que ela liderou esse movimento de organização, por isso as cooperativas saem da pandemia com um cenário muito tranquilo daqui para frente”, parabeniza e agradece Fernando.

Com esse suporte, a história de uma pequena propriedade leiteira no interior do estado reverbera, ganha desdobramentos, gera reflexos, se soma e se entrelaça com outras tantas histórias de cooperação. “Sem o cooperativismo a gente não teria esse crescimento, esses municípios desenvolvidos, bem organizados, essa produção que se destaca no Brasil e no mundo, porque o mundo come o alimento que é produzido nesse chão onde as cooperativas atuam”, enaltece o produtor Paulo.

“Quando vejo associados, como o Sr. Paulo, realizando seus sonhos, trazendo inovação e servindo de exemplo e inspiração para demais associados, temos certeza de que estamos reforçando ainda mais o nosso papel enquanto cooperativa que é colaborar com as regiões onde estamos inseridos, gerando resultados positivos para todos. Essa é a razão de ser cooperativa”, finaliza Fenner.

Para se aprofundar nessa história…

Logo que a família Steffens recebeu a novidade tecnológica na propriedade, nossa equipe fez uma visita para registrar essa evolução em vídeo. Confira:

E se o assunto cooperativismo faz você querer aprender mais e mais, o Colabore-se traz mais conteúdo para te abastecer! Agora, em áudio! Dá o play neste episódio do SolutionCast, o podcast da Sicredi Aliança PR/SP e ouça um bate-papo enriquecedor sobre o assunto!

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