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A importância dos negócios de impacto socioambiental

Ideias conectam empresas e consumidores para gerar impacto positivo na sociedade

Os negócios de impacto socioambiental estão em um setor aquecido. Dados do último levantamento da Aspen Network of Development Entrepreneurs (ANDE Brasil), feito entre 2018 e 2019, mostram que, em todo o mundo, esse mercado tem um capital de US$ 715 bilhões. Além de fazer a economia girar, os negócios de impacto são importantes para o desenvolvimento da sociedade.

Assim como uma empresa tradicional, os negócios de impacto devem gerar receita a partir de vendas de produtos e serviços. Seu diferencial fica no retorno dado à sociedade, com um propósito e ações voltadas à ações sociais ou ambientais. O impacto pode aparecer tanto dentro da empresa, com os produtos e serviços, ou então como consequência da atuação do empreendimento, como por exemplo gerando empregos e renda para uma população.

Para entender mais como surgem negócios sociais, sua função na sociedade e como interagem com os consumidores, o Colabore-se conversou com Renata Chemin, CEO e cofundadora da Polen, uma fintech que descomplica iniciativas de impacto social usando a tecnologia e que figura entre as 100 startups mais atraentes do Brasil no ranking 100 Startups to Watch, uma parceria da revista PEGN, Época Negócios, EloGroup e Innovc.

Unindo empresas e consumidores, a Polen já arrecadou R$ 1 milhão em doações para ONGs. A conversa você confere a seguir:

Os consumidores têm preferência por empresas com atuação social?

Diversos estudos mostram que os consumidores são mais propícios a comprar de marcas que se preocupam com causas sociais. De acordo com uma pesquisa da Ipsos Public Affairs de 2017, 82% dos consumidores consideram importante ou muito importante que uma marca demonstre um alto grau de responsabilidade social.

Outro estudo da Do Something Strategic mostra que 77% dos consumidores dizem que pelo menos algumas vezes compram produtos ou serviços de uma marca apenas porque eles acreditam nos valores / reputação da marca e querem apoiá-los.

Em 2020 os exemplos da Natura e do Magazine Luiza deixaram clara a importância das empresas no apoio a causas sociais.

Como a Polen vê a importância de ações de impacto social partindo de empresas?

Entendemos que não existe separação entre empresas, organizações sociais e os consumidores, pois cada um deve fazer sua parte, por menor que seja, para tornar nossa sociedade melhor e mais justa.

Quando olhamos exclusivamente para empresas, vemos os números que elas alcançam e seu poder de alcance e influência, vemos o quanto é essencial que se posicionem de maneira responsável e empática, não somente doando recursos e realizando ações práticas para o alcance do impacto, mas também desempenhando o papel de promotoras de mudanças positivas na sociedade, sendo exemplo para outras marcas e para os consumidores.

Como surgiu a ideia da Polen?

A Polen nasceu de uma inquietação, uma vontade real minha e do Fernando Ott de fazer algo para mudar o mundo. Nós queríamos muito fugir da coisa idealista de convencer as pessoas só com boas palavras e abraços e, de fato, criar algo prático que tivesse o potencial, não só de gerar um impacto, mas sim gerar impacto em escala. Basicamente queríamos sair do “meu sonho é mudar o mundo” para “o que que a gente precisa fazer pra mudar o mundo” e começar a fazer de verdade.

Fernando Ott e Renata Chemin, fundadores

Tiveram alterações no propósito ou forma de atuação?

Apesar do modelo de negócio e atuação ter mudado bastante durante nossos cinco anos de existência, o propósito nunca mudou.  A empresa evoluiu através das ONGs e dos clientes atendidos.

Polen vem de polinização, que é exatamente o que queremos fazer com impacto. Não queremos apenas gerar, mas sim escalar impacto social. Queremos transformar nossos R$ 1 milhão já doados em muito mais. Por isso, usamos tecnologia para unir empresas, organizações sociais e consumidores e impactar todas as causas que precisam.

A Polen oferece bastante transparência no fluxo de doações. Além de dar mais confiança para as empresas, consumidores e ONGs. Vocês acreditam que isso ajuda também a incentivar mais pessoas a irem atrás de impacto social ao ver resultados?

Com certeza! Quando uma marca levanta a bandeira em defesa de uma causa, não basta apenas falar sobre o tema, mas também mostrar o que está sendo feito na prática para contribuir com aquela causa. Sempre falamos muito sobre a importância da transparência e da coerência entre o discurso e as ações da marca e trabalhamos com 3 pilares:

Mecânica: que é sempre uma interface que garante que o cliente da empresa tenha consciência e participe ativamente da ação, escolhendo a causa que mais se identifica; Métrica: que são quais KPIs de negócio vamos seguir com essa ação para que a gente garanta que ela seja recorrente e não apenas pontual, então ela precisa gerar resultado positivo para as empresas;

Transparência: tanto a empresa quanto o consumidor precisa ter acesso claro e fácil à qual o impacto real que está sendo gerado com essa ação.

Como funciona a adesão das empresas e ONGs?

Trabalhamos intensamente para fazer com que esse processo seja cada vez mais simples, procuramos integrar previamente aos sistemas de gestão/vendas/bancário que as empresas utilizam para que quando uma empresa nos procure, esse processo seja com o mínimo de fricção possível e não precise envolver grandes desenvolvimentos de tecnologia.

Por exemplo: temos integrações com mais de 10 plataformas de e-commerce em que lojas virtuais podem optar pelo 1 Compra = 1 Doação, escolher causas que combinam com a marca e doar uma porcentagem das suas vendas ou dar ao seu consumidor a possibilidade de doar alguns centavos além da compra para uma instituição. Tudo automatizado e configurado em em poucos passos para trazer facilidade para os lojistas e agregar valor em cada uma de suas vendas. Além destas opções nós fazemos projetos personalizados para diferentes tipos de realidade de cada empresa, neste formato já atendemos marcas como: 99App, James Delivery, Multiplan, entre outras.

As ONGs interessadas em receber doações através da Polen precisam se cadastrar em nosso site e passar pelo processo de curadoria com mais de 25 tópicos de avaliação.

Como vocês enxergam o futuro das empresas no lado social? Acham que quem não buscar essa área pode correr riscos?

Com o fortalecimento do propósito, da solidariedade e do consumo consciente, as marcas precisam se adaptar para não perder oportunidades, sempre dizemos que entre propósito e resultado as empresas podem ficar com os dois, pois não existe limite de negócio e nem razão para não gerar impacto positivo na sociedade. Quem não se adaptar e buscar melhorar a relação da sua marca com o mundo vai ficar para trás, sem dúvida. Assim como na pandemia, vimos empresas sofrendo para se adaptar à revolução digital que já vinha tomando conta há anos. Quem não começar a pensar em temas como responsabilidade social e ESG vai ficar ultrapassado.

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