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Ecossistemas de inovação: como o Parque Tecnológico Itaipu Brasil atua para promover o desenvolvimento do futuro

Você já parou para pensar como os ecossistemas de inovação são essenciais para que novas soluções cheguem até a sociedade? A partir da colaboração de entidades, característica própria desses ambientes, elas promovem articulações que impulsionam o desenvolvimento tecnológico, social e econômico.

Um desses ecossistemas é o Parque Tecnológico Itaipu Brasil (PTI-BR), criado em 2003, em Foz do Iguaçu (PR). O Portal Colabore-se conversou com Rodrigo Régis de Almeida Galvão, diretor de Negócios e Inovação do PTI, sobre como eles atuam na integração entre empresas, órgãos governamentais e instituições de ensino para promover a sinergia e troca de conhecimentos em prol do desenvolvimento de soluções para a sociedade. A entrevista, na íntegra, você confere a seguir:

 Qual a principal missão do PTI? 

“Gerir o ecossistema de inovação desenvolvendo ciência, tecnologia, inovação e negócios, gerando riqueza e bem-estar à sociedade.”  

Sabemos que a inovação tecnológica é um fator fundamental para o desenvolvimento econômico e aumento da competitividade. De forma que, a riqueza gerada por meio do desenvolvimento é um indicador quantitativo das ações; já a geração do bem-estar está relacionada a indicadores qualitativos. Acreditamos que para gerar riqueza e bem-estar para a sociedade é preciso, antes de mais nada, educação, empregos de qualidade, desenvolvimento e oportunidades, e tudo isso passa pela inovação. Assim, o PTI atua em rede buscando fortalecer o ecossistema de inovação por meio de ações de sensibilização, capacitação e empreendedorismo para garantir o cumprimento da nossa missão.

O PTI atua com foco em educação, ciência e tecnologia, e empreendedorismo. Por que essas foram as áreas escolhidas?   

Quando falamos no ecossistema de inovação, trata-se de complementar o trabalho com as áreas de educação, ciência e tecnologia, e empreendedorismo. São elas que permeiam o modelo de tripla hélice, que foi desenvolvido por Henry Etzkovitz, na década de 90. Esse modelo explica a capacidade de transformar o conhecimento científico em inovação tecnológica, de forma que uma alta taxa de desenvolvimento tecnológico só é possível a partir da parceria entre governo, empresas e universidades.

A ideia base é que a inovação tecnológica só é possível quando o conhecimento desenvolvido nas universidades é canalizado para atender as demandas econômicas e sociais que as entidades privadas e empresas analisam, gerenciam e, posteriormente, comercializam, com o apoio de políticas públicas que visem coordenar o desenvolvimento do potencial de setores e regiões, e gerir os modelos contratuais das parcerias entre os diferentes atores (incluindo as patentes). Nessa perspectiva, os atores (governos, indústria e universidades) precisam aumentar sua interação para criar inovações que contribuam para o desenvolvimento econômico, para a competitividade e o bem-estar social.

Assim, começamos com a educação por ser a base das ideias, do desenvolvimento e do conhecimento que complementa, diretamente, os projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação desenvolvidos pelos Centros de Competências do Parque, para diversas instituições, e para que tudo se conecte é fundamental que o conhecimento e o desenvolvimento sejam entregues ao mercado. Daí surge o empreendedorismo. É importante salientar que essas três grandes áreas permeiam o desenvolvimento em cinco temas estratégicos que são: agronegócio, cidades inteligentes, energia, turismo e segurança de estruturas críticas.

Existe um ecossistema de empresas e instituições que formam o PTI. Pensando em tecnologia e inovação, qual a importância do envolvimento de várias instituições?

Seguindo a lógica da tríplice hélice, o PTI é um grande ecossistema de inovação e a gestão dele é a missão do Parque. Dentro dele, contamos com universidades, empresas já consolidadas que demandam por soluções e capital humano especializado, além das startups que trabalham fortemente nas soluções inovadoras com o objetivo de entregá-las ao mercado o mais rápido possível. Assim, como no conceito de ecossistema da biologia, o PTI tem o papel de facilitador para dar origem a um conjunto de comunidades que interagem entre si, e com o meio que deve ser favorável ao avanço da inovação.

É importante colocar que, a inovação só será efetiva e o desenvolvimento só irá ocorrer, se todos os membros do ecossistema trabalharem com objetivos comuns e com visões alinhadas de futuro. De forma que se realize o funil da inovação, e cada instituição faça o seu papel para que ocorra a conexão com o mercado.

Como os projetos que passam pelo PTI ou que surgem por meio dele, beneficiam a sociedade?

O PTI atua em cinco principais verticais, às quais, de uma forma ou outra, atingem praticamente todos os setores da sociedade. Assim, o impacto vai desde as ações de educação, que buscam preparar a sociedade para o desenvolvimento e empreendedorismo, até a integração da academia, e dos empreendedores com o mercado em si, fazendo com que essas soluções sejam entregues à sociedade em geral e que, consequentemente, tenhamos geração de empregos, rendas e bem-estar para todos.

Quem pode inscrever projetos para serem apoiados pelo PTI?

Qualquer pessoa que tenha uma ideia empreendedora tem potencial para receber apoio do PTI. Temos programas para diferentes maturidades de empreendedores e soluções. Para quem ainda não sabe exatamente no que quer empreender, mas que sente aquele espírito inquieto dentro de si, temos o Programa PTI Conecta, que trabalha o universo das startups com os universitários. Para quem já tem um negócio montado, mas precisa de uma força extra para desenvolver a sua ideia inovadora, oferecemos o Programa Integração Universidade Empresa, no qual bolsistas dão essa força adicional na inovação com o apoio da academia. E para quem quer tirar a ideia do papel ou ainda precisa de um gás para alavancar esse negócio, temos os programas de incubação. Além disso, disponibilizamos dos programas de Inovação Aberta, que desenvolve junto de empresas âncoras os desafios, e que mantém conexão com as startups para o desenvolvimento ágil da inovação nessas empresas.        

Mudando um pouco o foco, o PTI também tem uma atuação voltada para cidades inteligentes. Como funciona essa parte?

O trabalho com cidades inteligentes tem como objetivo contribuir com a qualidade de vida do cidadão, desenvolvendo tecnologias, gerando negócios e melhorando o acesso e disponibilidade dos serviços públicos, e tem como propósito desenvolver soluções para demandas da sociedade, seus bairros e serviços públicos. Os principais eixos de desenvolvimento são: urbanismo, meio ambiente, energia, governança, saúde, segurança, empreendedorismo, tecnologias e inovação, educação e mobilidade.

Como vocês veem o papel da tecnologia e inovação na transformação da vida nas cidades?

As tecnologias em si não irão mudar a vida na cidade, mas sim, as soluções, as quais precisam estar integradas aos problemas reais da sociedade. Assim, tecnologia e inovação irão transformar o dia a dia da sociedade trazendo maior praticidade, autonomia e segurança para as pessoas. As possibilidades de tecnologias em uma cidade conectada são infinitas, e vão desde a otimização de rotas de ônibus do transporte público, até a utilização de medidores inteligentes para serviços como água, luz e esgoto, segurança por meio de câmeras integradas com postos policiais possibilitando a rápida atuação em situações de risco, além de tecnologias mais amplas com sensores que irão integrar a previsibilidade de chuvas e tempestades com aplicativos de aviso nos celulares dos moradores. Ou seja, a transformação virá na gestão da cidade como um todo, incluindo uma integração da vida da cidade com a vida dos habitantes.

Qual é o ideal a ser alcançado em termos de uso da tecnologia e inovação nas cidades?

Para alcançarmos resultados efetivos é fundamental que tenhamos políticas públicas que regulamentem e deem segurança física, jurídica e pessoal. Precisamos ter a difusão e o desenvolvimento de novas tecnologias e, por fim, e não menos importante, precisamos do engajamento da população. Com esses pontos consolidados, imaginamos em um futuro próximo, uma cidade que converse com os seus moradores, atendendo o que é prioridade para a sociedade e garantindo um dia a dia com muito mais qualidade de vida.

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