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Parcerias para financiar equipamentos de energia solar

Linha de crédito direcionada para aquisição de equipamentos de energia solar impulsiona desenvolvimento mais sustentável e economia de baixo carbono

O ano era 1990 quando o presidente executivo do Banco Cooperativo Sicredi, João Tavares, começou sua trajetória no cooperativismo e a se aproximar do tema sustentabilidade. Desde então, ele vem acompanhando a evolução e o crescimento da demanda por ações mais sustentáveis e hoje, 30 anos depois, testemunhou uma captação histórica feita pelo Sicredi para financiar a aquisição de equipamentos de energia solar pelos associados.

Em um ano, entre 2020 e 2021, o Sicredi registrou um aumento de mais de 100% em sua carteira de financiamento de projetos de energia solar. Um sinal positivo e que motivou uma parceria internacional. O Sicredi foi a primeira instituição financeira cooperativa brasileira a receber a certificação emitida pela Climate Bonds Initiative (CBI), organização que promove investimentos em projetos que são necessários para uma transição rápida em direção à economia de baixo carbono.

O Portal Colabore-se conversou com João Tavares sobre o que esta operação significa, qual a importância de investir em projetos de energia solar e quais as formas de financiamento que aproximam as pessoas de inovações sustentáveis.

Como vê a importância de investimentos que promovem desenvolvimento? Tanto pelo Sicredi como pelos cooperados que investem na instalação de tecnologias.

Esse é um tipo de investimento que só traz ganhos, pois alia a questão ambiental com a financeira, gerando diminuição do uso de fontes de energia que prejudicam os recursos naturais ao mesmo tempo que proporciona economia para quem investe na instalação de placas de energia solar. No Sicredi, enxergamos como muito relevante o fomento do uso dessa tecnologia e buscamos promover seu uso indo além do financiamento e trabalhando em parceria com as empresas que realizam a instalação, além de utilizarmos amplamente essa solução em nossas estruturas como agências e sedes administrativas.

Quais motivos levaram o Sicredi a buscar a captação para a energia fotovoltaica? Já é possível observar um maior investimento nessa tecnologia no Brasil?

Nosso papel é buscar alternativas para financiar as necessidades dos nossos associados e, neste caso específico, contamos com a sinergia de objetivos de uma grande parceira estratégica que é a International Finance Corporation (IFC). Com isso, conseguimos trazer para o país mais recursos para o financiamento desse tipo de tecnologia com condições muito favoráveis aos associados.

Temos, sim, notado um apetite cada vez maior pelo uso de energia solar, tanto na atividade rural como também em empresas e residências. Para se ter uma ideia, nossa carteira de crédito para essa finalidade cresceu mais de 100% no período de um ano, chegando a R$ 3,3 bilhões.

Esta é a primeira operação de uma instituição financeira cooperativa brasileira a receber certificação emitida pela Climate Bonds Initiative (CBI). O que motivou a iniciativa?

O primeiro ponto é que, mais do que um simples selo, a certificação da CBI consiste nos melhores critérios em padrão mundial de que os recursos estão sendo direcionados para a finalidade certa, da maneira certa. Além disso, o processo que envolveu a obtenção da certificação nos trouxe grandes aprendizados e proporcionou o aprimoramento, inclusive em termos de processos e sistemas, na concessão de financiamento de viés sustentável.

Existe também a possibilidade de investir em energia fotovoltaica e outros equipamentos voltados para iniciativas mais sustentáveis a partir de um consórcio. Como as instituições podem influenciar no crescimento do uso desse tipo de tecnologia?

Sim, no Sicredi trabalhamos com o produto Consórcio Sustentável, que permite a aquisição e instalação de equipamentos de energia fotovoltaica. Acredito que o papel das instituições financeiras é justamente gerar alternativas para que esse tipo de solução seja fomentada, fazendo também a promoção delas por meio de suas ações de comunicação e marketing.

Como o cooperativismo se relaciona com a sustentabilidade?

O cooperativismo tem um modelo sustentável em sua essência, pois promove o ciclo virtuoso nas regiões, proporcionando a organização para que as próprias comunidades se financiem por meio da participação nas cooperativas. Junto a isso, o cooperativismo é baseado em interesse e envolvimento com a comunidade, o que se traduz com a realização de programas sociais e apoio às instituições locais por intermédio do Fundo Social, por exemplo, no qual uma parte dos resultados da cooperativa é destinada ao apoio a projetos beneficentes. Tudo isso feito com transparência e participação com o voto dos membros da comunidade associados às cooperativas de crédito.

O cooperativismo envolve diversas pessoas. Qual a força desse movimento para gerar transformações e mudanças positivas, pensando em sustentabilidade?

É um movimento com uma grande força transformadora que tem como combustível justamente o envolvimento das comunidades. Acredito que o segmento tem muita capacidade de gerar alternativas positivas na sociedade, pois se baseia em um modelo participativo e envolvido com as questões das comunidades em que está inserido. A partir disso, ocorre um efeito de escala que tem sido cada vez mais visto à medida que o cooperativismo vai se expandindo e tendo mais adeptos. Somente no cooperativismo de crédito, hoje são 11 milhões de brasileiros e brasileiras participando, mas temos a certeza que, na medida que os benefícios do modelo vão sendo assimilados pela sociedade, há ainda bastante espaço para crescimento.

Como o Sicredi vê essa busca por mais sustentabilidade?

Não só vemos como muito positiva como também buscamos ser ativos na promoção da sustentabilidade. Nosso modelo de atuação promove sustentabilidade do ponto de vista financeiro, mas ainda focamos em práticas sustentáveis ambientais em nossos processos e ações. Exemplo disso é a neutralização das emissões de gases de efeito estufa feita pelo Sicredi, assim como a promoção de produtos e serviços relacionados à economia verde, entre diversas outras ações realizadas em âmbitos regionais e locais promovidas pelas 108 cooperativas que compõem a nossa instituição. Somos integrantes do Pacto Global proposto pela Organização Mundial das Nações Unidas e estamos fortemente comprometidos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em todas as nossas ações.

Pode comentar a instalação do Parque solar em MT? O que motivou essa instalação? Podemos esperar iniciativas similares em outras regiões no Brasil?

Essa é uma iniciativa fantástica realizada pela Central Sicredi Centro Norte, que está proporcionando a autonomia energética de mais de 140 agências do Sicredi no estado de Mato Grosso. É um projeto que, ao mesmo tempo, beneficia o meio ambiente e gera economia para as agências, o que garante a saúde financeira da cooperativa e dos associados, por consequência.

Sobre ter iniciativas semelhantes em outras regiões, passa muito pelo planejamento regional das nossas centrais e cooperativas e uma série de fatores externos, pois, em alguns casos, é mais viável fazer a instalação para uma agência específica, como há diversos exemplos no Sicredi.

O mais importante é que temos a busca por fontes limpas de energia como uma premissa e procuramos fazer isso da forma que for mais adequada para cada situação.

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