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Transformando praga em pomar e lixo em jardim!

Em Marechal Cândido Rondon, gestos de cuidado com a natureza geraram um efeito cascata de gentilezas e união nos loteamentos Vale do Sol e Dorzbacher. Entenda o que você pode aprender com essa ação.

Quando alguém se sobressai a ponto de anular o crescimento de quem está ao redor, o que era para ser destaque, vira malefício. É assim com o comportamento humano e também com a natureza como um todo. E os moradores dos loteamentos Vale do Sol e Dorzbacher, no bairro Boa Vista, em Marechal Cândido Rondon, aprenderam muito sobre isso observando e cuidando do ambiente onde moram. Quem chegou primeiro deu de cara com uma área “infestada” pela árvore leucena, uma espécie antes considerada muito interessante e versátil por crescer até nos solos mais difíceis e se alastrar rápido, mas que agora é entendida como invasora por se sobressair e sufocar as demais plantas, bloqueando o sol e impedindo o desenvolvimento saudável da vegetação ao redor.

“Entre 2016 e 2017, quando começamos a construir nossa casa, esse espaço era muito cheio dessas árvores. Elas não são bonitas e não atraem passarinhos, o que tinha era cobra, aranha, insetos. O que fizemos: fomos tirando fileiras de leucenas e plantando árvores nativas. Nós sempre gostamos dessa questão de área verde e compramos o lote por conta dessa reserva e então começamos a cuidar dela. Fomos plantando conforme conseguíamos comprar ou ganhar árvores”, conta a empresária Silmara Pazini, se referindo a uma área de preservação ambiental pública que vêm sendo abraçada pela vizinhança.

Antes disso, já tinha gente com esse mesmo olhar trabalhando voluntariamente para um bem comum. Cleunice Ribeiro Novais e o marido Ruy Novais começaram a cuidar da área em 2014. “O local estava com muitos restos de construção, galhos, madeiras velhas e lixo. Na época não havia asfalto e assim a erosão era muita devido à chuva. Para resolver, fizemos terraplanagem. Os finais de semana do meu esposo eram dedicados aos cuidados com o espaço”, descreve a técnica de enfermagem que agora já pode usufruir de um ambiente completamente diferente, com muitas plantas, árvores frutíferas e flores. “Instalamos bancos, construímos pergolados, estamos ampliando os cuidados dia a dia, com a ajuda dos nossos vizinhos”, acrescenta.

O “time” de cuidadores foi aumentando ao longo do tempo, cada um com uma contribuição. O vendedor Rodrigo Mello é um desses moradores que não espera acontecer: vai lá e faz. Percebendo que, por ser um final de rua, o local ficava prejudicado com muito lixo trazido pelo vento, ele começou a se mobilizar para deixar a área sempre limpa. “Primeiro pela questão de estética do próprio bairro e até mesmo para que todos nós moradores pudéssemos ter uma área em comum para confraternizar. Mobilizei o pessoal pelo Whatsapp para fazermos algumas mudanças e vimos que se transformássemos o lugar em um ambiente de circulação de pessoas, ele ficaria melhor cuidado”, relata Rodrigo.

De muda em muda, um pomar. De semente em semente, um jardim

“Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor” foi o que disse Madre Teresa de Calcutá. Inserindo a frase no contexto desses moradores rondonenses, percebemos o quanto ela faz sentido. Quando cada vizinho assume a responsabilidade por uma limpeza, um corte de grama ou um plantio, a preocupação não está em fazer mágica e conseguir um “recanto impecável” do dia para a noite. O foco está no poder do trabalho de formiguinha que, de pouco em pouco, faz uma comunidade inteira se beneficiar.

“Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor”

Madre Teresa de Calcutá

Hoje, a área que era repleta de árvores invasoras, lixo e animais perigosos, é cheia de árvores floridas e frutíferas, que atraem outros tipos de animais, agora bem-vindos. “Um vai plantando, outro vai cortando grama, colaborando da forma como pode. Todo mundo cuida. No final do dia a gente se reúne, um vai motivando o outro. Sempre tem gente mexendo. Nós temos muito pé de fruta, limão, acerola, amora, banana. A gente pode colher e os animais se alimentam. É bem prazeroso ver os animaizinhos usufruindo do ambiente. Tem tucano, aumentou a quantidade de sabiás e outros pássaros, é gostoso observar que a vida está voltando para esse lugar”, comemora Silmara, que até se perde enumerando o tanto de frutas, chás e temperos que podem colher (mamão, araçá, butiá, aroeira, pimenteira, siriguela e mais…)

O próximo passo

O espaço já é atração, virou cenário para fotos e local de confraternização. Mas há sempre uma melhoria motivando os moradores a se mobilizarem. “Queremos colocar um balanço e bancos, onde as crianças poderão brincar e ter mais amizades, para trazermos um pouco desse sentimento que nós, mais velhos, tínhamos em nossos bairros quando crianças”, almeja a empresária Fernanda Gracieli Krombauer.

Era o sonho de Ruy Almeida que, infelizmente, pode usufruir pouco do ambiente que ele tanto ajudou a transformar. Em setembro de 2021, Ruy faleceu por conta de complicações da Covid-19. Mas o legado dele está escancarado em cada plantinha cuidada com amor. “Apesar dele ter aproveitado pouco tempo, teve a oportunidade de acompanhar os netos curtindo juntos o que construiu com tanto carinho e zelo. Hoje as crianças dizem: ‘meu avô Ruy fez para nós brincarmos’. Todos os dias eles lembram dele, e eu sempre vou fazer com que jamais esqueçam, que possam levar como lição do avô o cuidado, a preservação e a dedicação. Ruy permanece vivo entre nós cada dia que abrimos as janelas e a porta e nos deparamos com esta paisagem: ele está ali nas plantas, flores, frutos, no cantar dos pássaros”, emociona-se Cleunice.

Cleunice Ribeiro Novais e Ruy Almeida (in memorian), começaram a cuidar da área em 2014.

As lições

“Se cada um fizer um pouquinho, grandes coisas podem ser feitas”. (Rodrigo Mello)

“Ninguém cobra ninguém, é tudo muito natural, todos nós queremos ver o ambiente bonito. Os vizinhos se dão muito bem, é tudo muito respeitoso, trocamos informações, mudas de plantas e incentivamos que os vizinhos peguem as frutas, as pessoas se sentem muito à vontade”. (Silmara Pazini)

“A lição que todos enquanto cidadãos podemos ter é: não ficar de braços cruzados achando que outra pessoa tem que fazer por nós. Assim todos podemos contribuir para termos um mundo melhor. Preservar o meio ambiente, respirar ar puro, cuidar de você e promover a saúde de todos que você ama. Para todos que tem um espaço assim: cuidem e conservem para embelezar seus bairros e  melhorar a qualidade de vida. Acredite, você também pode”. (Cleunice Ribeiro Novais)

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