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Reciclando ideias: como a tecnologia está transformando o processo de reciclagem e a vida de quem trabalha na área

Software desenvolvido especificamente para controlar e otimizar a coleta de lixo ajuda cooperativas, prefeituras e comunidade. Sicredi apoia a iniciativa que está fazendo a diferença em Marechal Cândido Rondon

É tão automático recolher as sacolinhas de lixo, levar para lixeira na frente de casa ou do prédio e deixar o resto todo acontecer que, raramente, passa pelas nossas cabeças o processo que vem a seguir para que esse lixo seja reciclado ou vá para o aterro sanitário. Quantas famílias dependem dessa atividade? Como podemos colaborar para que elas tenham melhores condições de trabalho e, por consequência, o processo de reciclagem seja mais eficiente? São essas perguntas que deram origem a um sistema feito especificamente para solucionar problemas dessa área.

Como uma embalagem de plástico que é reciclada e ganha um novo sentido e um novo uso, essa solução tecnológica aplicada de forma pioneira em Marechal Cândido Rondon está ressignificando a vida de quem trabalha com reciclagem. Dos processos manuais e improvisados para uma gestão controlada e otimizada por um software: foi essa a transformação gerada pelo BZS Recicle.

O problema

Desde que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi criada, em 2010, tem sido um desafio para as prefeituras lidar com a coleta, destinação e processamento do lixo produzido nos municípios. Orçamentos curtos, falta de controle do sistema de reciclagem e, consequentemente, falta de informações para prestação de contas estão entre as principais dificuldades.

Na outra ponta, os processos também ainda são muito precários: o Brasil tem hoje cerca de 2 mil organizações entre cooperativas e associações de reciclagem e boa parte delas opera de modo muito artesanal, com planilhas feitas no computador ou à mão. “Isso às vezes gera alguns problemas, como o recolhimento de impostos de forma incorreta, gastos com as coletas e rotas não cumpridas, sem ter como comprovar por onde realmente os caminhões passaram, falta de informações sobre o estoque de material e excesso de trabalho para fazer o rateio das sobras para o pagamento dos salários de cada um”, descreve Adriana Reinke Blodorn Bayer, uma das idealizadoras do projeto que mudou essa realidade.

A solução

Num mesmo sistema, cooperativa, prefeitura e comunidade conseguem otimizar o papel de cada um. O principal benefício está no controle que os associados da cooperativa conseguem ter: com um login e senha, operacionalizam o sistema que permite acompanhar onde o caminhão fez a coleta, que horas, se passou por onde realmente deveria passar. Já dentro do barracão, outras etapas também são sistematizadas. “Quando o material chega passa por uma triagem, vai para o estoque e é prensado e colocado em fardos. Nesse momento é impressa uma etiqueta que tem um QR Code, com informações da data do processamento, qual cooperativa está responsável. Facilita a rastreabilidade do produto e alimenta de forma automática o estoque da cooperativa. Facilita muito no momento da venda também. A pessoa responsável pega o celular, lê todos os códigos, de forma automática vai lançar um pedido de vendas e logo após a nota fiscal. Não é necessário o gestor digitar fardo por fardo, dar baixa no estoque, é tudo feito pelo celular. Então procuramos ao máximo tornar mais fácil o dia a dia dos catadores”, descreve Adriana, acrescentando que o sistema também já faz por conta o rateio das sobras que dá origem aos salários dos associados.

“Como eu sou a responsável pelo financeiro, acabei eu mesma criando planilhas que ia alimentando no meu dia a dia, para que elas pudessem me dar a informação que eu precisava. Eles adaptaram tudo isso para o sistema, o que facilita e muito nosso serviço e controle. Desde contas a pagar e receber, como rotas do dia e rotas realizadas, temos GPS em todos os caminhões, e no sistema, onde é possível cadastrarmos as rotas, ele diz se a rota foi concluída ou se ficou alguma rua sem coleta. É bem completo e muito incrível para nossa cooperativa de reciclagem.” (Rosilene Inês Schmidt da Costa, responsável financeira da Cooperagir, cooperativa de reciclagem de Marechal Cândido Rondon)

E a grande vantagem para os gestores municipais é ter informações detalhadas sobre todas essas fases. A prefeitura também tem acesso à parte do sistema para que seja possível conferir os relatórios gerados. “Se eu como gestor municipal quiser saber o quanto de rejeitos foi para o aterro sanitário no mês de janeiro, eu tenho essa informação, o que facilita na prestação de contas”, esclarece Adriana.

“O sistema é bem importante para auxiliar as cooperativas de catadores, não só aqui em Marechal, mas acho que toda região vai ser beneficiada por esse sistema porque ele tem uma utilidade muito grande em relação a controle contábil, administrativo, de estoque. A gestão de frota é bem importante porque, para o município, é muito bom a gente ter a segurança de que a coleta está sendo feita corretamente nos roteiros que nós programamos. Assim a gente consegue ter maior confiança dos moradores para que eles separem o lixo para a coleta seletiva. Vemos com muito bons olhos as funcionalidades e algumas delas nós estamos ampliando. Até mesmo cadastrando o rejeito, que é o material que não é reciclado e vai para o aterro, e com esses dados a gente consegue ir melhorando cada vez mais para atingir níveis maiores de reciclagem e para fazer uma educação ambiental melhor com os moradores também” (Marcos José Chaves, engenheiro ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Marechal Cândido Rondon)

E a comunidade, onde entra?

O que eu, você e o vizinho temos a ver com isso? Tudo. Também somos responsáveis por fazer essa cadeia girar, separando corretamente o lixo e, por que não, sendo fiscais do processo. Pensando nessa ponta do ciclo, existe o site aquirecicla.com que é por onde a população pode ter acesso aos dados de reciclagem e consegue ter uma noção do quanto cada item reciclado impactou positivamente o meio ambiente.

“Quanto melhor geridas as cooperativas, maior é a vida útil dos aterros, a preservação de rios e nascentes e, consequentemente, há mais geração de renda, mais empregos, mais desenvolvimento sustentável”, destaca Adriana.

Promove transformação social? A gente apoia!

Está no DNA do Sicredi ser apoiador das iniciativas que promovem a transformação social. É parte do que o cooperativismo prega e é como a Sicredi Aliança pode contribuir para que a comunidade local se desenvolva de forma saudável. Por isso, somos patrocinadores do BZS Recicle, viabilizando recursos para que as cooperativas de reciclagem possam operacionalizar o sistema.

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