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Nadando na Frente: onde o futuro nada de braçada

Projeto recém-inaugurado em Guaíra oportuniza aulas de natação a crianças em vulnerabilidade social

Os movimentos ainda não são tão coordenados. Braços e pernas estão, aos poucos, entendendo o que precisam fazer para manter o corpo sem afundar na água. Mesmo que ainda bem no início, o projeto Nadando na Frente, em Guaíra, Oeste do Paraná, já começa a mostrar os bons resultados que a natação pode proporcionar e deixa evidente que o foco não é formar atletas, mas sim, bons cidadãos. O projeto oferece aulas de natação a crianças de 7 a 10 anos de idade, em situação de vulnerabilidade social. Guaíra é a quarta cidade do Paraná a receber a iniciativa, que já chegou a 5 estados, além de atender um grupo de alunos em Duala, na África.

Nadar traz impactos e lembranças que ficam para sempre. Seja por ajudar a desenvolver disciplina, espírito de equipe, respeito e dedicação. Foi do desejo de retribuir tudo o que a natação lhe proporcionou que Edmilson Dezordo criou o projeto, há 15 anos. Ele atuou na natação dentro e fora do país e enxergou no esporte, que é pouco acessível às pessoas com menor poder aquisitivo, uma forma de levar saúde e qualidade de vida para as crianças. Em Ribeirão Preto, São Paulo, deu a primeira braçada no Instituto de Esportes, entidade responsável pelo Nadando na Frente.

No Paraná, o projeto é tocado por Thiago Torres do Nascimento. Ele entende o quanto a natação é um dos esportes mais completos e que mais oferecem benefícios às crianças e já coleciona histórias de sucesso entre os mais de 500 alunos atendidos no estado. “É claro que é maravilhoso termos a possibilidade de formarmos grandes nadadores, mas o que mais damos valor é aos pequenos resultados que impactam a vida dessas famílias. Uma mãe de Umuarama, por exemplo, esses dias veio me agradecer porque a filha fazia uso de medicamento para asma e bronquite e, após começar no projeto, não precisa mais usar. Isso nos motiva muito”, comemora.

Em Guaíra, as aulas começaram em outubro deste ano. Setenta crianças participam das aulas na Associação dos Servidores Municipais. Assim que ficou sabendo da notícia sobre o início do projeto na cidade, Tainara de Souza correu para inscrever o filho. “Ele ama água. Em casa, tem uma piscininha, dessas de plástico, e ele reproduz nela o que aprende nas aulas”, conta. Fernanda de Oliveira quis deixar de lado o medo que tem de água e encorajar o filho a participar. “Ele também tinha receio de brincar na água, mas agora já até mergulha! Antes, a rotina do meu filho era da casa pra escola e, agora, tem um esporte para praticar, graças ao projeto”, comenta.

Metodologia para a vida

O Projeto Nadando em Frente utiliza a Metodologia Swim & Health Guilherme Guido. O método leva o nome de um dos maiores nadadores de nado costas da história do Brasil e utiliza conceitos da Psicologia Positiva na natação, aumentando o nível de motivação dos alunos, por meio de integração em grupos, expressividade e escuta ativa. Os alunos aprendem observando e contribuindo uns com os outros. As aulas vão muito além de aprender a ir de uma ponta a outra da piscina: as crianças adquirem conhecimento sobre a anatomia do corpo humano e aprendem 28 forças da natureza para serem usadas na vida.

Há mais um nome relevante para a natação brasileira e mundial envolvido nessa história: Fernando Scherer, o Xuxa. Na carreira, ele colocou no peito 10 medalhas nos Jogos Pan-Americanos e 2 Medalhas Olímpicas (bronze em Atlanta 1996 nos 50 metros livres e bronze em Sidney 2000 no revezamento 4×100 metros livres). O dono desse desempenho brilhante no esporte é o padrinho do projeto. “É muito importante apoiar o trabalho e o atendimento realizados pelo Projeto Nadando na Frente, pois o país precisa de programas como este para ampliar as chances e oportunidades destas crianças a fim de que pratiquem o esporte”, destaca Xuxa.

Nado coletivo

Não há braçadas que aguentem levar um projeto social de forma solitária. É preciso união de esforços para que os resultados possam ser conquistados. Para levantar as verbas necessárias, uma importante parceria é firmada com as empresas privadas, que “apadrinham”, ou seja, custeiam os investimentos de um determinado número de crianças. Todos os equipamentos, materiais e vestuários necessários para as aulas (toucas, maiôs/sungas, saídas de banho, boias, óculos, pranchas, etc.) são custeados pelos parceiros e distribuídos gratuitamente às crianças. Em Guaíra, 20 empresas acreditaram na ação e dão suporte à iniciativa. A Sicredi Aliança está apadrinhando 10 crianças, garantindo que elas possam aprender um esporte, com toda a estrutura necessária. “Em Guaíra, o Sicredi é um parceiro de grande importância. Quando a empresa consegue enxergar o benefício social do projeto é maravilhoso, isso nos motiva pelo caminho. Fomos muito bem recebidos pela cooperativa, especialmente pelo foco na natação, um esporte pouco incentivado”, detalha Thiago.

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