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A importância do financiamento para empreendimentos femininos

Medidas buscam fomentar e incentivar o setor, que é chave para maior igualdade de gênero e crescimento da economia

São vários os motivos que levam as mulheres a empreender: flexibilidade de horários, busca por realização profissional, equilíbrio entre vida profissional e maternidade ou, ainda, dificuldade de encontrar recolocação no mercado. O empreendedorismo é uma das formas de alavancar a presença das mulheres em cargos de liderança e na busca por mais igualdade de gênero. No entanto, ainda são necessárias ações que impulsionem esses negócios, como financiamentos para empreendimentos femininos.

O Sicredi quer fazer parte desse movimento e, por isso, buscou recursos fora do país para destinar à micro, pequenas e médias empresas brasileiras lideradas por mulheres. Com linha de crédito de US$ 80 milhões (cerca de R$ 438 milhões), a iniciativa inclui o fator gênero como critério para o uso dos recursos, assim como   fatores sociais e ambientais.  O financiamento será destinado para empresas com faturamento anual de até R$ 6 milhões e que tenham mulheres como donas ou sócias detendo mais de 50% do capital social.

O Colabore-se conversou com as gerentes de negócio, Ana Lúcia Kochepka e Polyana Knebel Catharino, sobre empreendedorismo feminino e como fomentar esse mercado. A entrevista completa você confere a seguir:

Qual a importância de investimentos para empreendimentos liderados por mulheres?

Ana Lúcia: O empreendedorismo feminino é uma tendência em pleno crescimento que inspira cada vez mais mulheres a abrirem seus próprios negócios. Ainda há muitos obstáculos a serem enfrentados, entretanto, a autonomia financeira ressalta o empoderamento da mulher fazendo com que elas cheguem cada vez mais longe.

Polyana: A mulher possui uma visão que vai muito além; ela consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, sem perder a qualidade e o foco no que está fazendo. Um empreendimento liderado por mulheres gera muitas oportunidades para outras mulheres, pois a empresa sempre estará disponível para ajudar o crescimento na vida profissional e pessoal.

Já existe um grande volume de buscas por investimentos por esse público ou ainda é algo que precisa ser mais incentivado?

Ana Lúcia: O volume ainda é tímido. Acredito que em nossa região, que é bastante patriarcal, esse incentivo aos investimentos deveria ser mais divulgado. Muitas vezes, as mulheres empresárias ficam escondidas nos bastidores de empresas familiares. Fazer essa informação chegar às mulheres, daria a elas uma luz, uma segurança para dar o pontapé inicial.

Polyana: É algo que ainda precisa ser incentivado, pois muitas mulheres ainda possuem receio em realizar investimentos, e outras acreditam que precisam do aval do marido, do pai ou de outro homem que esteja ao seu redor. As mulheres precisam ser incentivadas a vestir a camisa e encarar o mercado, mas, infelizmente, isso não acontece com tanta frequência, pois é mais fácil, para algumas pessoas, falar que não vai dar certo porque a mulher possui muitas obrigações, como cuidar da casa,  dos filhos e ainda trabalhar. O que essas pessoas ignoram é que a mulher tem “mil e uma utilidades” e faz tudo isso e mais um pouco de olhos fechados, porém, para isso continuar acontecendo, elas precisam ser incentivadas diariamente, e não serem lembradas apenas em março ou em maio.  

Quais os desafios enfrentados por mulheres que querem empreender?

Ana Lúcia: A lista é enorme. O ato de empreender por si só já é um grande desafio. Porém, dentre os principais, enfrentar o preconceito é o mais relevante.   Preconceito que se dá por parte de homens do meio empresarial, assim como por praticamente toda a sociedade.  O segundo desafio, e não menos importante, é conciliar a vida pessoal com o negócio. Isso porque, mesmo com todas as mudanças, as mulheres ainda são as principais responsáveis por cuidar da casa e dos filhos.

Polyana: A principal dificuldade é o preconceito, e esse preconceito vem das próprias mulheres e da sociedade como um todo. E outra dificuldade é das mulheres que são mães “solos”, ou que seu companheiro não lhe “ajuda”, ou seja, que não possuem uma rede de apoio para ajudá-la a conciliar o empreendimento com a vida pessoal.

Investir em empreendimentos femininos é, de alguma forma, um investimento em mudanças sociais?

Ana Lúcia: Certamente, os investimentos em mulheres empresárias incentivam o empoderamento financeiro, o que leva ao empoderamento social.

Polyana: Sim, pois os empreendimentos coordenados por mulheres possuem uma desenvoltura muito além do esperado, já que a mulher se preocupa muito mais em ajudar o próximo a crescer. Ela tem preocupação com a vida social das pessoas que estão ao seu redor, sempre tentando proporcionar bem-estar para todos à sua volta.

O Sicredi já tem iniciativas voltadas para mulheres, como o Comitê Mulher. O que significa para a instituição conseguir uma parceria para incentivar negócios feitos por mulheres? É uma área de atuação em expansão?

Polyana: Significa um empoderamento feminino GIGANTESCO, pois mesmo com todo o preconceito que nos cerca, agora, somos vistas com outros olhos pela sociedade; estamos a cada dia mais podendo mostrar que a mulher PODE e CONSEGUE fazer tudo o que um homem faz. Que assumir a gerência de uma empresa, ou a diretoria ou afins não nos faz menos mulheres por isso. Estamos expandindo aos poucos, porém, temos muitas oportunidades para mostrar o que a mulher é capaz de fazer, pois de frágil não temos nada!

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